terça-feira, 7 de junho de 2016

Mercado mobile mais caro

Nos últimos lançamentos de aparelhos no Brasil nesta última semana, a LG apresentou uma versão do seu topo de linha, o G5, numa versão mais simples (processador mais fraco e menos RAM), onde muitos esperavam que isso se refletisse num menor preço, mas foi exatamente o contrário, tanto o aparelho (R$ 3.499) quanto os seus acessórios (a partir de R$599) apresentaram preços bem elevados, sendo até mais caro que o novo Iphone SE lançado pela Apple a um tempo atrás no mercado nacional.


Outra empresa que assustou de forma negativa foi a Sony, com o vazamento dos valores dos Xperia X e Xperia XA, com preços absurdos de R$ 1.899 pelo mais fraco e o preço de R$ 3.799 pela melhor deles. Mas mesmo a versão melhor ela não trás o melhor que a Sony pode oferecer, pois seu processador é apenas o Snapdragon 650. A versão Xperia X Ultra, que trás o que tem de melhor em hardware, não teve seu preço vazado
A Sony falou que o preço não é oficial, mas que irá divulgar os preços de lançamento num evento para o dia 9 de Junho. Mais sobre nessa matéria do Techtudo.
O site do Ponto Frio também já tirou o aparelho a listagem, devendo agora libera-lo novamente apenas dia 9 novamente.


Bem a discussão aqui nem é sobre os preços das empresas serem oficiais, mas o porque de adotarem preços elevados por seus lançamentos que nem mesmo trazem o melhor do hardware do mercado.

O Mercado Brasileiro está em crise e as vendas dos eletrônicos e principalmente o de Smartphones está em queda. O primeiro trimestre em comparação ao ano passado teve uma queda de cerca de 25% nas vendas de aparelhos. Por mais que o preço médio de aparelhos tenha subido, ainda existem opções em lojas, mesmo físicas, de aparelhos de faixas de preço mais baixo que são acessíveis ao grande público.

Por mais que eu e você que basicamente entende de tecnologia e sabe as vantagens e desvantagens dos aparelhos à venda no mercado, o grande público não sabe ponderar as diferenças e estudar os melhores custo/benefício do mercado, ele apenas compra o que couber no orçamento ou o que achou mais bonito na vitrine, vendo como funciona o aparelho no seu dia-a-dia depois, talvez tendo uma ou outra exceção quando a pessoa pede pro amigo que entende de tecnologia sugerir um aparelho para ela, mas no geral o publico vai comprar prezando mais a aparência e se cabe no orçamento.

Pois bem, mesmo nesses aumentos de preço ainda existem aparelhos que alguém menos afortunado pode comprar um Smartphone que funcione mais ou menos ou que atenda de forma minimamente satisfatório, mesmo em lojas físicas que precisam aumentar o valor para maior margem de lucro para pagamento de salário de funcionários, aluguel do local e manutenção da loja entre outros, é possível achar aparelhos baratos, mas as pessoas simplesmente não tem dinheiro para fazer esse tipo de compra, ou estão dando prioridade a outros produtos que não Smartphones.

Vendo essa situação que mesmo com oferta de produtos, um pouco piores, mas ainda acessíveis ao público com menor poder aquisitivo não está dando retorno de venda, as empresas chegam num limite que ela vê viável continuar disputando o custo/benefício com a concorrente ou de pegar o público que tem pouco poder aquisitivo. Quando a economia vai bem e as pessoas tem um forte poder de compra as empresas veem que pode tentar aumentar os lucros com a venda de aparelhos mais em conta para o público mais humilde, apostando em uma margem de lucro menor por unidade, mas com um maior volume de vendas e com isso rodando mais dinheiro e popularizando a marca.


Mas com um menor volume de vendas, mesmo com certo esforço na redução de preço dos produtos mais acessíveis, as empresas não veem motivo para manter a estratégia e voltam a apostar no mercado de quem pode pagar mais, apostando no lucro maior por unidade vendida. A Apple se tornou extremamente famosa por conta disso, consegue ter uma boa margem de lucro por cada um de seus aparelhos e ainda consegue manter um bom volume de venda. Isso pode ser visto no caso que ela vende bem menos aparelhos que a Samsung, mas seu lucro no setor é muito maior que a coreana.

A vantagem deste tipo de estratégia é que a empresa pode reduzir o volume de produção de aparelhos, em muitos casos pode até enxugar seu portfólio reduzindo times de produção e pesquisa de aparelhos, e com um volume menor, apresenta menos problemas que irão lotar seu setor de manutenção, marketing é mais direcionado a menor variedade de produtos e se bem conduzido a estratégia a marca ganha fama de confiável e vale o que se cobra.

Nos casos das fabricantes de Smartphones no Brasil, a LG e a Sony já são mais famosas do pública casual por causa de seus outros produtos no caso da LG dos seus Notebooks e televisores e a Sony dos seus aparelhos de som e o Playstation, tendo assim seus nomes na cabeça do consumidor brasileiro quando este pensa em qualidade. Então muitos do que tem dinheiro e não querem mais investir muito em um novo Iphone podem ver a LG e a SONY como marcas interessantes, caso não gostem muito dos aparelhos da Samsung, se tornando o acesso a um produto "mais barato" para eles. Até muitos que não tem tando dinheiro, mas podem parcelar podem ver esses produtos como mais acessíveis e que caibam nas parcelas ao invés do Iphone.

As outras marcas que não tem seu nome forte em outras frentes populares, como a Asus (que é forte entre geeks e fãs de tecnologia, não o público casual), BLU, Alcatel e Motorola/Lenovo devem continuar trazendo aparelhos um pouco mais abaixo desta faixa de preços, mas veêm mercado menos disputado no melhor custo/benefício e podem também elevar o lucro pela unidade vendida.


O mercado dificilmente vai voltar para o que era em 2014/2015, onde a disputa de custo/benefício era alta, os preços eram mais acessíveis, e os lançamentos eram constantes. Agora é esperado um mercado com menos concorrentes, pouca variedade de produtos e a busca de ter um lucro por unidade maior pelas fabricantes e menos produtos acessíveis por esse nicho estar sem dinheiro e diminuto e os que já compraram nesse nicho buscam o próximo aparelho mais completo.