terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Um exagero de configuração

Assim como foi o ano de 2015, o ano de 2016 promete ser um ano onde as fabricantes de Smartphones irão apostar em configurações absurdas em seus aparelhos topo de linha, e obviamente o aparelho não irá tirar um grande proveito deste poder todo, tendo no máximo uma ou outra perfumaria para justificar o novo hardware. A verdade é que para a maior parte da população um aparelho topo de linha oferece muito mais do que o usuário vai usar no seu dia-a-dia e em muitas vezes o modelo topo de linha sacrifica coisas que seriam interessantes para o usuário comum para ter um design mais elegante, menor espessura, peso e até mesmo o tempo de autonomia.

Uma das coisas que mais se vê com o passar do tempo é o aumento da resolução da tela dos aparelhos, onde muitos topo de linha estão ultrapassando a barreira do Full HD, tendo resolução 2k ou até mesmo 4K, como no caso do novo Xperia Z5 premium da Sony, onde este ganho na resolução não reflete num ganho absurdo de qualidade frente a uma "simples" tela Full HD, em muitos casos o ganho é imperceptível para uma pessoa comum.

Precisa mesmo de 4K numa tela com menos de 6 polegadas? (Imagem retirado daqui)

E para piorar a situação, este pequeno ganho de qualidade de contraste e brilho da tela, causa vários efeitos negativos, como um maior consumo da bateria com a tela ligada (manter mais de 500 pixels/polegada acessos consome muita energia), e o maior esforço do processamento para renderizar o conteúdo por esses pixels todos. Bem, aqui o CEO da Huawei dá mais alguns argumentos (de forma meio rude) contra telas de maior resolução.

Outra característica que se vende como positiva, mas acaba se tornando negativa, é a diminuição da espessura dos aparelhos, onde buscam diminuir aqueles milímetros para mostrar um aparelho mais elegante, mas que trás muitas desvantagens para o usuário que perde alguns recursos. A primeira desvantagem é a necessidade de reduzir o tamanho das baterias para colocar neste espaço diminuto, fazendo com que a autonomia dos aparelho diminua ainda mais, mesmo que os novos processadores tenham um melhor gerenciamento de energia. Outro problema é que em alguns casos para reduzir a espessura algumas fabricantes retiram a opção do usuário de remover as tampas traseiras para remover as baterias dos aparelhos e em outros retiram a opção de entrada para cartão Micro SD, tornando o aparelho mais fechado e limitando as opções do usuário para expandir o armazenamento de seu aparelho. (A Samsung fez isso com a linha Galaxy S6 e parece que vai voltar atrás na versão S7)

Gostaria muito que as fabricantes parassem de tentar "forçar" o que o usuário quer e procurasse ver as necessidades e possibilidades de aparelhos que se pode vender em determinadas regiões do mundo e o gosto dos usuários. A Apple não ouvir o usuário para lançar o produto foi muito positivo para criar o segmento do mercado, mas agora com ele maduro, a necessidade é ter um produto mais próximo e idealizado para a realidade das pessoas e suas necessidades e não apenas querer vender números como sinônimo de qualidade e o que as pessoas precisam.


Não sou contra a evolução da tecnologia, mas esta evolução precisa se justificar mais ou ter um objetivo mais claro para sua concepção.